Espírito felino

Baguera espreita-me A pequena felina examina-me tranquila Sabe que estou em stresse isolada Do mundo que agonia Da sociedade que definha numa imagem profética A náusea e o vómito dos fratricidas Dos governantes que escravizam o seu povo Defraudando o que a todos pertence Amealhando fortunas sem ética A gata siamesa na sua inteligência felina Sabe que sofro Pois vem amiúde lamber-me a mão esquerda fraturada Espera que me acalme Me deite confortável em aconchego E depois aninha-se no meu colo Enquanto os humanos alcançam os fins sem olhar a meios Se misturam com vícios, escravos de egoísmo e receios Que patetice! Pobres homens navegando na mediocridade das ilusões Oligarcas enforcados na ganância quais espectros alados Enriquecimento fácil a troco da dignidade Ilhas paradisíacas transformadas em lugares estratégicos Onde se projeta o abate da humanidade E nós incautos, drogados e sonolentos de olhos fechados! ...