Marés salgadas
Foto: Ana Maria Oliveira As marés serenas atenuam as trepidações dolorosas sob o peso Do glaciar à deriva dentro dum cenário apocalíptico A espuma dançarina beija a fragilidade dos músculos Quando desliza pelas rochas em tons de verde como aguarelas Explodindo em laivos de esperança aguardando a abertura De portais sincronizados no tempo feiticeiro das estrelas Agora os passos reconquistam o sal da vida A latejar na flutuação em águas transparentes Contemplando o céu de nuvens brancas Segredando esconderijos como refúgios de sonhos privados Vislumbrando os cardumes de peixes que se movimentam Contíguos ao meu olhar ansiando a miscigenação dos estados Agosto que me envolves com a força da coragem Com a energia da confiança e determinação De prosseguir depois da tempestade em dura madrugada Liberto-me do pântano que forçosamente tive de atravessar Ouvindo os sussurros do meu corpo orientando-me na jornada Fiz da solitud...