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O sufoco do casulo

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Sacudo para longe a asfixia dos invólucros Perante a estranheza das roupagens Alívio a pressão do aperto dos tecidos alienígenas Na transpiração revoltada contra as fibras artificiais Provocando o afogamento pela plastificação das inconsciências   O desconforto acutilante do casulo escuro Erguido pelas amarras dos casacos de lama Cria avidez pelo corte inevitável das vestimentas Ambicionando a respiração da liberdade transitória da nudez Envolta em alegria meditativa da terra sob os pés Rasgando texturas que nos petrificam em estátuas Aliadas à ditadura desenfreada da estética compulsiva das esculturas Gerando a fome acelerada da moda em desuso vertiginoso Instigando a destruição pela alarvidade dos psicopatas   E a nudez perene a registar as rotas do desocultar dos mistérios A revelar os meandros das células a latejar O desvendamento do bater do coração As veias e artérias em comunicação a palpit...

O ritual da espera

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A ventania provoca atrasos nas decisões dos mamíferos Que se espreguiçam exaustos de manipulações E agitações confusas amedrontadas Pela expectativa do desconhecido em revolta Perante crias abrindo as bocas histéricas Adivinhando a desenfreada guerrilha à solta   O fazedor de imagens apazigua as almas famintas O criador de enredos manipula cérebros doentes Autor de discursos pomposos silencia os diálogos Provocando cortes incisivos na inteligência dos crentes   A mente criadora de sentires resgata energias Palpações e enrolamentos de amantes fortuitos Sob a construção fictícia dos espelhos suspensos Detonam profusas indagações e experimentações Das tramas humanoides em desaparecimentos   O sujeito que percorre autómato e sem autoridade O labirinto de genealogias duvidosas e contingentes No encadeamento ininterrupto dos adultérios Mistura-se com a seiva contaminada dos convalescentes ...

Base de sustentação

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  Foto; Ana Maria Oliveira   O julgamento assentou na praça mais exposta Do reino intempestivo de massas movíveis informes Com grilhões invisíveis cegando os enxames que se escondem Na instabilidade feroz e demolidora de turbilhões enormes   A base de sustentação é ligeira amorfa e ténue E tem os dias contados nos calendários inventados Em noites eternas dentro do vazio aparente Dos exploradores carnífices de minérios à solta Que pisam afincadamente onde os vermes mastigam a terra Cheiram inebriados os excrementos das cavalgaduras Julgadas pelos pedestres feiosos e imbecis Agora dizimados pela lógica abrupta dos algoritmos     Sentir a infinitude dos espaços não basta É perentório capturar o invólucro subtérreo Alcançando respiráculos de sobrevivência Pois o assentamento do pilar desmoronou-se Sobre a minha cabeça e o meu querer E estacas já não seguram e perpetuam o riso Nas festividades fictícias do aparecer e parece...

Emboscada

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A euforia germina na superficialidade dos encontros Nos cumes desmaiados onde se inventam florescências Em oscilações dos gelos pulverizadas pelos compromissos Da transitoriedade desenhada em carantonhas submersas   Corridas pedestres provocam tremores Em escadarias abarrotadas de fungos Que tatuam oráculos indecisos e mórbidos Sobre a cabeça dos répteis que se aprisionam Em espaços cerrados sobre si próprios   Há um cordão quebradiço de braços e mãos A desparasitar os insetos futuros comedores de almas No rodopio delirante dos vivos alienados Prestes a despedaçar os fios que prendem As moléculas psicopatas das desavenças Gerando explosões criadoras de cavernas intemporais E implosões sugadoras dos instantes em deleite Na serpente ardilosa do tempo desbravadora de canais   As pegadas anunciam a catástrofe das intempéries No rasto penetrante dos gigantes com a mãe mistério A provocar nevoe...

Alucinações e delírios

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  Foto: Ana Maria Oliveira Poeiras oriundas do Sul invadem geografias escaldantes Que animadamente derretem e contaminam corpos Fulminam ansiosos cérebros psicóticos  Em cárceres minados pelas progenitoras que devoram os filhos Por instantes de alucinações que as coroam Nos reinos desaparecidos dos intestinos dos bovinos   Os humanos afundam-se nas ratoeiras da mente Gerando construções fictícias como quem está ávido De concretizar as visões narcísicas dos projetistas em queda Na arquitetura inconstante das emoções em festejo impávido   Delírios proliferam nesta sociedade de masoquistas Prolongando relações abusivas de sádicos em lugares escondidos Alucinações incontroláveis ignoram o significado de empatia Homicidas à solta por entre o rebanho de ignorantes adormecidos   Apago as visões destas criaturas esfaimadas Canibais exploradores de campos dementes Pela esquizofrenia não assistida São terrenos mafiosos de odores p...

Avestruzes

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  Foto: Ana Maria Oliveira   As avestruzes ergueram esforços Para manterem os pescoços na verticalidade De pernas altas ar aprumado conjeturam Uma forma de afastar a cegonha Que só quer fazer ninho e manter a prole Longe de viroses acidentes e peçonha   Bicos fortes e ar de quem conhece o terreno Não permitem a invasão de outra passarada E bicam aqui e ali empurrando a pobre cegonha Para fora da fortaleza erguida pelas pernaltas Destruindo a teoria dos sonhadores impotentes De que o convívio é possível Mesmo de físico dissemelhante e fuças diferentes   As avestruzes aumentaram o círculo da xenofobia  Ou fuga da vítima ou morte da pobre criatura Que também tinha direito à vida Então posturas de desdém soltam a fera Que nem todos conseguem dominar Entre sons jocosos e gritos de guerra   A cegonha revoltou-se e o que outrora era silêncio Passou a gemidos de dor O gemido passou ao erguer do peito suportando a...

Libertação

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Cintila um campo eletromagnético na película Que outrora se tornou real na flutuação das carências  Simbioses floresceram sincopadamente   Pelos devaneios heurísticos quais catraios num bailado Explorando a química dos corpos inquietos Apressados no estonteamento do labirinto Alargando vias rápidas em desfiladeiros vertiginosos Como arriscando a lucidez num abraço faminto   Permanece oculta uma câmara inviolável Protegendo gestos de enleios fluidos que escorrem Entre gargantas sequiosas de um beijo Florescendo na nudez dos espelhos onde anseios morrem   Agora depois de numerosas luas passarem Há um confronto necessário que impele com novo vigor A criar andamentos firmes sobre a selva das emoções  O mar ainda espera os pés descalços baloiçando em límpido festejo Com a espuma das ondas a confortar a pele sequiosa O sol afaga os poros na vibração sedenta do desejo   Os dedos p...