O esbatimento das cores
Foto: Ana Maria Oliveira Serão os meus olhos que se turvam de lágrimas invisíveis E me impedem de contemplar As variantes cromáticas do arco-íris em movimento Ou é o exterior que se modifica na estranheza dos desencontros De gente apressada em construir o seu próprio encarceramento Entro no templo que me levará para a zona de conforto Há um zumbido a metralhar nos ouvidos Baralham-se as nuvens mesclando a capacidade de sonhar Subo escadas com a respiração apressada Mas já não corro com a pressa de chegar Constato a distância que me separa dos outros Não há entusiasmo em mim nem vontade nem trauma Para criar artifícios que não me pertencem Sentir unicamente o silêncio apaziguando corpo e alma Inevitavelmente é para lá que me dirijo Um lugar onde não haja nem calor nem frio Para que deixe de sentir a premência de fugir do alarido E dos problemas que não são meus neste sufocante estio ...