Velho cansaço
Foto: Ana Maria Oliveira Envolve-me uma avalanche gelada de sucata Um emaranhado de metais aguçados em teias de gigantes dores Que atapetam um chão onde sementes aguardam a luz Para germinarem em mapas fluidos e ondulados de cores O abandono provocou sob os meus pés cenários sombrios Propícios aos roedores perenes sobreviventes Cruzando o espaço exíguo capto energias de afastamento Que se repelem em faces que disfarçam antagonismos delirantes E a brado que me liga ao mundo mantém o silêncio De quem se abriga num refúgio isolado na cordilheira A desmesura pula egoísta por todos os cantos Aluvião imprevisível e sinistra que me soterra A ganância enlaça com paixão a cegueira Enquanto milhões se afundam num padecimento atroz Pequenos príncipes se mantêm a flutuar no mar dos arrogantes A impassibilidade cria o esfarelamento das almas E o tempo sábio nivela as criaturas pela semelhança E enaltece pela diferença per...