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A mostrar mensagens de novembro 30, 2025

Velho cansaço

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    Foto: Ana Maria Oliveira Envolve-me uma avalanche gelada de sucata Um emaranhado de metais aguçados em teias de gigantes dores Que atapetam um chão onde sementes aguardam a luz Para germinarem em mapas fluidos e ondulados de cores   O abandono provocou sob os meus pés cenários sombrios Propícios aos roedores perenes sobreviventes Cruzando o espaço exíguo capto energias de afastamento Que se repelem em faces que disfarçam antagonismos delirantes   E a brado que me liga ao mundo mantém o silêncio De quem se abriga num refúgio isolado na cordilheira A desmesura pula egoísta por todos os cantos Aluvião imprevisível e sinistra que me soterra   A ganância enlaça com paixão a cegueira Enquanto milhões se afundam num padecimento atroz Pequenos príncipes se mantêm a flutuar no mar dos arrogantes A impassibilidade cria o esfarelamento das almas E o tempo sábio nivela as criaturas pela semelhança E enaltece pela diferença per...

Fragilidades

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  Foto: Ana Maria Oliveira Sou trespassada por hermenêuticas rastejantes Que foram edificadas em constrição de um movimento perpétuo Orientado para o desafio que se ergue para lá Do estado fictício e fátuo dos amantes   O jogo heurístico sincopado pelas mãos desafiadoras Projetam um descampado ameno Com borboletas esvoaçantes em ondulação provisória E libélulas faiscantes num sol afetuoso Enquanto ainda necessito de me libertar Dos cabos suspensos da âncora da memória   Convicta que essa recreação de procura e descoberta Persegue-nos entusiasta pela vida fora Tenho de me dar oportunidade de uma pausa Reter as mãos geladas em torno do copo de chá quente Aguardar que o brilho retorne ao corpo e à alma Num deslindar sistemático de formas de ser descrente Pois se os humanos gritassem em uníssono As suas mágoas e desesperos em náusea cruel O planeta que nos acolhe explodiria Em derramamentos de sangue e fel Agora o espanto do exterior ...

Concebidos na camuflagem

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  Foto: Ana Maria Oliveira  A memória trai-me afundando a fragilidade No compasso da desorientação momentânea Recupero da epifania aleatória de luz E num tempo que me assiste Recupero o volante da viatura que me conduz   Não quero saber das perfeições escorregadias Quero que as horas me distraiam na correnteza dos fluidos Criados na camuflagem gravitacional do desencanto E no mimetismo do jogo do oculto Perante o alheamento com que me encubro Numa bolha protetora olvidando o pranto   Respiro fundo comtemplo o envolvente Capto a estrada deslizante desenhada Por delírios que me envolvem como colete de forças Retomo a direção por entre a bruma que me faz refém Desloco-me em ziguezague intermitente na camuflagem Liberto-me a tempo relembro quem sou Vibro em prazer pela conexão primordial em sagrada aragem Cansada de absorver produtos de venda livre por algozes Suspensos de membros andantes enfraquecidos Desfaleço em aborrecimen...