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A mostrar mensagens de dezembro 14, 2025

Interpretação escassa

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Nesta hermenêutica bamboleante perdemo-nos Pelas escadas de acesso a infinitas presenças Em oscilação interminável em jogo baralhado Na apreensão do teu encadeamento Em deflagração de ideias adulterado   E não consigo alcançar nem os destroços Nunca te vejo por entre esta devastação e ventania Pois segues paralelamente à distância dos meus passos Transformaste-te em fantasma risível que assobia   És frequência quebradiça com que me levanto Vibras subtil na penumbra com que me deito Com que me alimento e com que medito E neste emaranhado de ondas que agridem a rocha E retornam magneticamente ao mar Assim me desintegro e de forma impercetível Misturo o pensamento com outros planadores no ar Criando um fogo de artifício temporário Que se apaga quando a festa mundana se acabar   O significado do mundo flutua borbulhante   Dentro do circo rígido da perfídia significação Navegando nas ...

Vozes do Alentejo

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  Foto: Ana Maria Oliveira Sobre um campo de batalha emocional que fragiliza Neutralizo os registos de vozes familiares gritando inglória Mas bem sei que esses timbres permanecem bem intensos Nos códigos persistentes da minha própria memória   O clamor e o grito transbordam em melodia Toca-me ao de leve um rumor feito gracejo Vislumbro um lampejo transformado em presença Que me transporta para o sol escaldante do Alentejo   A garganta aperta-se perante cantigas a vários tons Sai-me um gaguejar rouco abraçando o silêncio Percorro as ruas mágicas do estimado lugarejo Subo as escadas ansiando o descanso e adormeço Num bocejo em pleno centro da bela planície do Alentejo     Contemplando da janela o trajeto das estrelas cadentes Riscando o céu noturno e anunciando o canto perpétuo do fado Antevejo um abraço carinhoso de vocalizações Que rompem o vento transformando a brisa em suave brado   E surge o coro misto que sabe...

Tsunami de lixo

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  Foto: Ana Maria Oliveira Revolta-me que a idolatrada evolução tecnológica Não seja acompanhada por mais brilho mental Insurjo-me contra o tsunami de informação Que arrasta com ele o lixo contaminador de cérebros Que provoca decadência espiritual e intelectual   Desafortunadamente as mulheres são trucidadas E na sua hipersensibilidade optam pelo suicídio Pois é avassaladora a inquietação pela opinião alheia Sendo pelas situações psicossociais asfixiadas   O eu tem apenas um autodomínio fragmentário A inteligência humana rebela-se contra as algemas Redimensionemos a plutocracia que é indigna e pútrida Pois provoca situações em que o homem é mártir da história social   E a dignidade é violada a cada instante em praça pública   Pululam audiências apáticas inertes Afundando a sua honraria no conforto do sofá Estáticos e deprimentes adoradores de conhecimento sem crítica Nevróticos provocam o malogro da consciência sociopolí...