Asas inquietas
Foto: Ana Maria Oliveira O bailado de voadores espera-me algures na interceção espaço tempo O parecer consciente aquieta-se adejando leve como a passarada Num trono artificial oscilante que nunca consegue granjear A real essência do planar e o sentir da criatura alada Este impulso que me atira para a exploração dos pensamentos Cativa-me na fração ínfima da duração de uma faísca Em viagem virtual trespasso muralhas turvas e instalo-me No território que anima e se funde para que a vida persista Pois ao mergulhar fundo na existência E apesar da agitação e apelos de outras fainas e inventos Faço o voo em direção ao portal da liberdade em resistência E o Tejo serpenteando testemunha a tragédia e os renascimentos Anima-me o som das cigarras que cantam nos silvados Acalmam-me os lagartos que se estendem ao sol sobre as pedras Faço pacto com as corujas que vigiam a postura dos humanos Desfaço-me contra as falésias...