Vozes do Alentejo
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Sobre
um campo de batalha emocional que fragiliza
Neutralizo
os registos de vozes familiares gritando inglória
Mas
bem sei que esses timbres permanecem bem intensos
Nos
códigos persistentes da minha própria memória
O
clamor e o grito transbordam em melodia
Toca-me
ao de leve um rumor feito gracejo
Vislumbro
um lampejo transformado em presença
Que
me transporta para o sol escaldante do Alentejo
A
garganta aperta-se perante cantigas a vários tons
Sai-me
um gaguejar rouco abraçando o silêncio
Percorro
as ruas mágicas do estimado lugarejo
Subo
as escadas ansiando o descanso e adormeço
Num
bocejo em pleno centro da bela planície do Alentejo
Contemplando
da janela o trajeto das estrelas cadentes
Riscando
o céu noturno e anunciando o canto perpétuo do fado
Antevejo
um abraço carinhoso de vocalizações
Que
rompem o vento transformando a brisa em suave brado
E surge o coro misto que sabe pertencer à luz dos pássaros
Que
esvoaçam naquela aldeia simples de casa caiadas
De
gente benévola onde as crianças correm pelo rossio
No
entardecer ameno e quente de verão
E
a minha alma vibra em pleno amor
Sobrevoando
a antiga aldeia encantada de Póvoa e Meadas
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