O vazio da casa

 

Foto: Ana Maria Oliveira


Envolvem-me musicalidades que abraçam e rompem portais de luz

Qual suavidade multicolor dos campos na primavera

Que aliviam as mágoas e desilusão repartida

Pelos enganos de cronos mágico cruel

Indiferente à dor que nos amassa

Nos varre a alma para incerta dimensão

E nos distende e encolhe em transmutação que nos trespassa

 

Enrola-se em mim o cobertor macio faminto de calor

E sussurro ao frio que não faça pacto com a tristeza

Que mora algures no meu corpo vergado

Às intempéries da sobrevivência deste labor desencantado

 

Recorda-me os cânticos e os risos as danças e farra

Fado que me prende ao som harmónico e doce qual oração

Das cordas bem timbradas de uma guitarra

Junto ao bater determinado do temerário coração

 

E peço ao vazio melodioso e luzente da casa

Que me envolva no ritmo da paixão pela vida que persiste

Me beije pelo entusiasmo dos toques e sentires humanos

E me recorde que o amor germina mesmo em vereda agreste

 

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