Paraísos fictícios
Foto: Ana Maria Oliveira |
A respiração escaldante
anuncia arquiteturas desoladas
Criadas nos
terramotos cegos do desassossego que enlouquece
A náusea invade os
sentidos derrubando o alento
Tal é a velocidade
estonteante que o cérebro tece
Excluo o marasmo
dos vendedores de paraísos
Permaneço num
campo de múltiplas portas e janelas
Por onde esvoaço pedalo ando vomito em logradouros
É a infinda selva dentro
de mim em exaltação
Que se expande sem
grilhões nem muros
Quando a mente ultrapassa
o alcance de múltiplos paralelos
Descubro incansável
novas vias de circulação
E nesta inquietude
desértica surge um ponto de orvalho
Propício à
plantação de telas camaleónicas
Pintadas por
criaturas circenses opinando sobre cosmovisão
O nível de
oxigénio desce conforme as bocas dos famintos
Devoram em estado
selvagem a massa de vida
Embrenhando-se na
virgindade dos ecossistemas
Sugando o ventre
da terra aliciando seres robóticos
A absorver veneno
em lugar de água perante situações extremas
Afogo-me nos cursos
de água desenfreados
Asfixio embrenhada
em altas precipitações
Dissolvo-me na biodiversidade
do conflito sem rosto
Submerjo na mudez
e surdez em irrefreadas indagações
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