Esgar irreconhecível

 


 

Foto: Ana Maria Oliveira

O pensamento ultrapassa a velocidade da luz

Num empurrão regresso ao gelo esmagada pelo rochedo

A solução para os problemas retarda e tarda o envolver bucólico

Arrasto-me na sequência dos poços de tempo nebuloso

O coração mapeia lugares balançantes e topografias instáveis

Equilibra-se na penumbra enfastiado com tanta luz artificial

Com os ouvidos em combustão invadidos pelo ruído diabólico

 

 

As telas inacabadas refletem a dança hipnótica do universo

O algoritmo do reconhecimento facial permanece no passado

A forma automática de reagir vomita um esgar irreconhecível

Na cinematografia do esquecimento e dos cenários possíveis

Num código binário que não apreende os floreados nem o sopro

Nem o cloreto de sódio escorrendo do olhar

Sujeito-me aos comandos de repetição e variáveis irreversíveis

 

 

Absorvo radiações compactas de risos e sorrisos sem nexo 

As mãos adquirem agora garras postiças

Desfazendo a carne evaporando o sangue

Infiltro-me nos sedimentos jade quartzo diamante

Retorno à árvore mãe onde explodem os ossos

E entro numa dimensão de surdez cegueira purificante

 

 

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