Concebidos na camuflagem
| Foto: Ana Maria Oliveira |
A memória trai-me afundando a fragilidade
No compasso da
desorientação momentânea
Recupero da epifania
aleatória de luz
E num tempo que me
assiste
Recupero o volante da
viatura que me conduz
Não quero saber das
perfeições escorregadias
Quero que as horas me
distraiam na correnteza dos fluidos
Criados na camuflagem
gravitacional do desencanto
E no mimetismo do jogo do
oculto
Perante o alheamento com
que me encubro
Numa bolha protetora
olvidando o pranto
Respiro fundo comtemplo o
envolvente
Capto a estrada
deslizante desenhada
Por delírios que me
envolvem como colete de forças
Retomo a direção por
entre a bruma que me faz refém
Desloco-me em ziguezague
intermitente na camuflagem
Liberto-me a tempo
relembro quem sou
Vibro em prazer pela
conexão primordial em sagrada aragem
Cansada
de absorver produtos de venda livre por algozes
Suspensos
de membros andantes enfraquecidos
Desfaleço
em aborrecimento que se enterra
Na musicalidade
robótica das bizarras vozes
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