Fragilidades
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Sou trespassada
por hermenêuticas rastejantes
Que foram
edificadas em constrição de um movimento perpétuo
Orientado para o desafio
que se ergue para lá
Do estado fictício e fátuo
dos amantes
O jogo heurístico
sincopado pelas mãos desafiadoras
Projetam um descampado
ameno
Com borboletas
esvoaçantes em ondulação provisória
E libélulas faiscantes
num sol afetuoso
Enquanto ainda necessito
de me libertar
Dos cabos suspensos da
âncora da memória
Convicta que essa recreação
de procura e descoberta
Persegue-nos entusiasta pela
vida fora
Tenho de me dar oportunidade
de uma pausa
Reter as mãos geladas em
torno do copo de chá quente
Aguardar que o brilho
retorne ao corpo e à alma
Num deslindar sistemático
de formas de ser descrente
Pois se os humanos
gritassem em uníssono
As suas mágoas e
desesperos em náusea cruel
O planeta que nos acolhe
explodiria
Em derramamentos de
sangue e fel
Agora o espanto do
exterior luminoso
Transformou-se em
aceitação da revolução interior
Todas as células me
preparam para a jornada
Do salto para o silêncio
E a minha existência
unir-se-á a outras vivências
Tatuada pela perseverança
da interrogação
Luta constante teimosia
imperiosa e mortificação
A loucura apática dos
entes próximos a desilusão
Esta maratona que me isola me fecha
Afasta-me da sonoridade
dos mercados
Das leis humanas
castradoras de gente sem ética
Pairando o medo e
preconceito em putrefacta aliança
Mas onde em paradoxo transborda
a bonança como conforto de um colo
Para uma pequena frágil e
desprotegida criança
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