Velho cansaço
Envolve-me uma avalanche gelada
de sucata
Um emaranhado de metais
aguçados em teias de gigantes dores
Que atapetam um chão onde
sementes aguardam a luz
Para germinarem em mapas
fluidos e ondulados de cores
O abandono provocou sob
os meus pés cenários sombrios
Propícios aos roedores perenes
sobreviventes
Cruzando o espaço exíguo
capto energias de afastamento
Que se repelem em faces
que disfarçam antagonismos delirantes
E a brado que me liga ao
mundo mantém o silêncio
De quem se abriga num
refúgio isolado na cordilheira
A desmesura pula egoísta por
todos os cantos
Aluvião imprevisível e
sinistra que me soterra
A ganância enlaça com
paixão a cegueira
Enquanto milhões se
afundam num padecimento atroz
Pequenos príncipes se
mantêm a flutuar no mar dos arrogantes
A impassibilidade cria o
esfarelamento das almas
E o tempo sábio nivela as
criaturas pela semelhança
E enaltece pela diferença
perante exterminações alarmantes
Há um velho cansaço que
desiste do respirar
Permite a triste e severa
apatia que retalha o corpo e a mente fria
É matreiro preguiçoso
manipulador e quer-nos derrubar
Bordando alinhavos
caóticos em fissuras que disfarçam agonia
Vidas de cavalgadas sem
sentido em rituais de estranhezas
Ignoram a serpente que
morde a própria cauda
Que adormece serena ao
abrigo da chuva
Desconhecendo os gritos
aflitos dos humanos encharcados
Sem paliativo para as
suas feridas e paranoias
Sem esperança para as
suas impotências e fraquezas
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