Cinematografia do desencanto

 

Foto: Ana Maria Oliveira


 

Nasce o sol em laivos de laranja e rosa

Quando a minha alma navega ainda na tua frequência

Distancio-me do ruído do trânsito de gente apressada

Que obedece ao transe coletivo programado

Nos chifres de uma cavalgadura exaltada que dá pelo nome

De receio antecipado das catástrofes iminentes

Provocadora de ilusões aceleradoras de neuropatias invisíveis

 

Baralho-me com o gentio e deixo-me levar por premissas erradas

Necessito delas para me sentir em movimento enquanto escolho

Proteger-me do caótico das sociedades humanas

Há um lado de mim que permanece desperto às teias do exterior

Há um outro inabalável mapeado nas sinapses que me sustêm

Que me envolvem meigamente com a flauta dos Andes

E mergulho novamente na profundidade do teu olhar

 

Afasto-me da ignorância da aprovação social

Não capto a trama dos Influencers apenas mãos geladas e hirtas

Narcisistas abrem-me os braços sugando afetos

Abrilhantados de sorrisos e más memórias

Abocanhando oportunidades no linguarejar dos manipuladores

Bato a porta à vida resignada dos frustrados

Mas sei que entre a vigília e o sonho gera-se uma penumbra indecisa

Esta mágoa que me acompanha é familiar do despertar

Da narcose moral e agonia redutora do apocalipse

Sou salva apenas pelos teus olhos e pelo timbre da tua voz

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