Madrugada de domingo
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Contemplo
o céu cinzento escuro do alvor
Com
laivos ténues de um azul tímido
Lá
fora onde o musgo teimosamente pinta o chão
Gotas
de água como cristais beijam os galhos
E
deixo-me alagar pela chuva suave que me conforta então
Nada
se agita neste mistério de renascimento do rei Sol
Os
ramos das árvores do quintal permanecem estáticos
Como
se estivéssemos dentro de uma campânula de vidro
Que
nos protege contra tempestades em lugares monásticos
O
silêncio transporta com ele uma palavra de quietude
Vontade
de respirar nesta tranquilidade alheada
Em
que nada mudou exceto os rebentos vermelhos da camélia
Que
timidamente desabrocharam lutando pelo seu espaço contíguo
À
roseira branca que permanece intacta na sua elegância velada
E
outras cores vão surgindo na transição da noite para o dia
Um
melro esvoaça por cima dos telhados em cenário encoberto
As
gaivotas agitam-se bem lá no alto invadindo a terra
Certamente
evitando as águas revoltadas do mar que está perto
Este
renascer da estrela que ilumina e aquece
Cria
a claridade e a azáfama dos pássaros
Os
pardais irrequietos debicam aqui e ali
Abençoado
astro que acompanha os meus passos pela vida
E
que incita a paixão derradeira dentro de mim
O
bando de rolas ouve-se no seu arrulho
Uma
delas insiste em espreitar-me através da janela
Adaptaram-se
ao inverno e ao casario que lhes dá guarida
Segredando-me
que o assimilar da existência é perene
E
não tem forçosamente de ser amargura sofrida
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