Violência miserável

 

Foto: Ana Maria Oliveira


A neve invade regiões mais altas

E o deslumbramento branco

Faz esquecer as carnificinas das guerras

A fome e o decepar de crianças

Olvidamos num ápice a exclusão

Do que não enxergamos na frente do nariz

Vivendo momentaneamente estados catárticos de ilusão

 

As pelejas impulsionam a tecnologia

A necessidade aguça a esperteza

E os vírus inteligentes universais e carentes

Criam formas de entrar em corpos alimentando-se

De matéria animada em fainas sobreviventes

 

Os paradigmas momentâneos de exploração do humano

Arrastam odores de pestilência navegando

No instinto medroso da sobrevivência e rugem

Holocaustos na crista dos galos de capoeira

Que cantam na madrugada da chacina em ferrugem

 

As sonoridades buliçosas dos famintos do poder

Tornam tresloucados seres provocando a violência miserável

Bloqueando os canais de libertação

Hipnotizados pela dependência de códigos físico-químicos

Obedecendo ao programa da incoerência e alienação 

 

Acordemos desta letargia que se transforma em carrasco

Qual palhaço divertindo multidões cegas inertes

As gerações vindouras esquecem as suas origens

Incapazes de captar o sofrimento alheio

Mas a brutalidade de múltiplos rostos esconde fragilidade

Este jogral astucioso impõe que todos circulemos em seu redor

Nem capta que se esvai num arroto azedo e bolorento de mediocridade

 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Débil memória

O palco da indiferença

A rua