Enfrentar o caos
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| Pintura de: Ana Maria Oliveira |
Transito
temporariamente em terrenos minados
Só
o caótico relampeja por entre sinapses
De
velocidades cegas esbanjando visões semelhantes a calvários
Miscigenadas
de cores que guerreiam pelo espaço
Vibrando
inseguras adivinhando a fraca sustentação dos cenários
O
vermelho sangue transpõe a silhueta dos feridos
Amarrados
a conflitos sentidos na cabeça degradada
Provocados
por gente que em lugar de celebrar a vida
Se
tornou amarga obscura desconchavada como praga
A
cor violeta das flores murcha em desânimo nas pétalas
E
o tom laranja e amarelo esbatem-se num pôr-do-sol
Que
se repete num ciclo de nuvens brancas e cinzentas
Não
me agrada o caos que as minhas mãos traçam
Quando
acabar este maremoto que me desintegra
Criarei
flores sobre este caos que desarvora
Agitar-se-ão
múltiplas pigmentações arrasando a confusão
Apagarei
a desordem e delinearei traços familiares acolhedores
Paraísos
terrenos hospedeiros repletos de magnólias
Um
piso afável inundado pelo aroma das rosas
Desenharei
caminhos luzentes ladeados de hortências
Orquídeas
suspensas em jardins deslumbrantes
Os
rebentos de cerejeira animando os campos
Tulipas
formando tapetes de encantamento
A
flor-de-lótus flutuando nas águas serenas
Do
lago em paz na profunda conexão e verdade
Lírios
azúis na serra anunciando um céu límpido
Crisântemos
desmaiando nas mãos inocentes das crianças
E
o odor intenso dos cravos anunciando a liberdade

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