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A mostrar mensagens de abril 19, 2026

Tempo lento

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  Foto; Ana Maria Oliveira Criei asco aos discursos pomposos Que capto de gente perdida amargurada Estonteantemente procurando novas vítimas Repetindo ciclos de toques contaminados Por paranoias medos narcisismos e débeis argamassas Respirando impacientes pelos pulmões alheios Que projetam enredos de distração de massas   Cada vez mais confortável na minha pele E no meu silêncio que gera melodias perenes De campos virgens onde as aves nidificam Traçando mapas imaginários sem artimanhas De mantras que criam em uníssono a vida   E executam estrondos sobre os cumes das montanhas   O que me aconchegava desapareceu nas redes De tráfego intenso na iminência da tragédia Na correria dos autómatos e dos escravos de falso charme Sozinha dito as orientações de bailados e meditações Que me facilitam o afastamento de silvados que me rasgam a carne   E neste balançar do corpo apenas sorrio ao pardal Que faz ninho por cima da minha...

Pequeno laço

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Há um pequeno laço que me toca suavemente E me transpõe para lá deste ambiente De silêncios e murmúrios Então movimento-me entre sentimentos Ultrapasso paredes emocionais em pântano intenso E permaneço por frações de segundo Em janelas iluminadas da memória onde por vezes descanso   Estou embrenhada em mim e na viagem que se apresenta solitária  Tenho por companhia as minhas mãos Que constroem abraços despertos pela brisa dos teus olhos Permaneces lá no frenesim de vida da minha lembrança de amor E sei que em milagre poderíamos voltar ao toque dos amantes Mas o desejo escondeu-se para lá do horizonte E a estrada está cortada interrompida pela tempestade do temor  

Corpo insubmisso

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                                                               Foto: Ana Maria Oliveira   Alucinam-me os ruídos das estradas homicidas Os sussurros dos humanos infelizes Preocupados com o andamento da vida em decaída Sobre pedaços decompostos denunciando cicatrizes    Desagradam-me os ginásios onde se moldam corpos Como se edifica uma escultura em declínio adiado Onde gotas alheias de suor se misturam Entre odores artificiais de gesto fabricado   Incomodam-me As transpirações as cinzas  As nuvens de areia Os rodopios de pó  A indiferença como gelo afiado Que se espeta no ventre E nos anuncia a morte das células  Revoltadas pela fraqueza da alma Pelos limites do corpo  Pelas necessidades escondidas Pela explosão do choque  Pelos orgasmos per...