Sabedoria infértil

 

Foto: Ana Maria Oliveira


 

 

A transmissão do saber estático faz-me saltar para outra dimensão

Enfada-me a injeção de informação contaminada por opiniões

E nem sempre engulo o que me colocam no prato

Criticando a história rebelo-me contra a autoridade cega

O tédio e insularidade anulam a emoção necessária ao entusiasmo

Mas num impulso da vontade brandida

Transformo o fastio em vibração diligente e fecunda

Recusando-me a cortar o cordão umbilical da vida aguerrida

 

Germina um fungo maléfico na patologia coletiva

Doenças germinativas contagiosas de neuras impostas

Nos académicos em declínio e nos políticos tragados pela negra ambição

E o chá quente de gengibre e mel emerge paliativo

Para os fracassos e empurrões que fazem peso sobre as minhas costas

 

Entro em estado de hibernação neste envolvente ardiloso

Salto o tempo engano-o e adormeço algures

Na caverna mais alta da montanha

Salto o vazio e ergo sustentáculos sem toxicidade

Não é cobardia mas sim imperiosa necessidade

Não é falta de amor e sim uma voz suplicante que me dita

Que a hora de sossego se aproxima

E há que esperar serenamente na conflitualidade dos dias

 

Marionetas esqueléticas abrem caminhos obscuros

Aos radicalismos que se opõem às ideias em fertilidade inventada

Ultrapasso a postura de vítima driblando a dúvida e a crítica

E alcanço a liderança da própria vida numa sociedade paralisada

 


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