Idolatria
A
autonomia dançou a roda e desfez-se em transcendência horizontal
Imitou
sedada o vizinho do lado invejando os seus domínios
Em
desterro obscuro de energia submissa
Numa
ínfima fração de segundo em que se idealizou ser rainha
Desfaleceu
na velocidade vertiginosa da cobiça
Cintilou
de poder ilusório e foi feliz agitando os tentáculos
Das
possibilidades da vontade autoimposta sobre abismos
A
pobre nem se deu conta de que a identidade resvala
Para
a desintegração das partículas sem lugar a romantismos
Para
que esgoto escorreram os valores e as escolhas
Evaporando-se
na necessidade de idolatria de modelos
Transformados
em ovelhas que seguem o lobo no souto
Ignorando
que não há seres superiores
Surge
a frivolidade do propósito de transformação no outro
Transformar a paranoia em estrelas sustentáveis é processo ingrato
Porque este labirinto
que nos envolve amordaça-nos em violentos pisos
Transporta-nos
inexoravelmente para armadilhas mentais
E
é premente renunciamos a competições e animosidades
Libertando-nos
da escravidão dos desejos alheios
Para
renascermos purificados na edificação de um mundo em regozijos
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