Idolatria

 


 

Foto: Ana Maria Oliveira

 

A autonomia dançou a roda e desfez-se em transcendência horizontal

Imitou sedada o vizinho do lado invejando os seus domínios

Em desterro obscuro de energia submissa

Numa ínfima fração de segundo em que se idealizou ser rainha

Desfaleceu na velocidade vertiginosa da cobiça

 

Cintilou de poder ilusório e foi feliz agitando os tentáculos

Das possibilidades da vontade autoimposta sobre abismos

A pobre nem se deu conta de que a identidade resvala

Para a desintegração das partículas sem lugar a romantismos

 

Para que esgoto escorreram os valores e as escolhas

Evaporando-se na necessidade de idolatria de modelos

Transformados em ovelhas que seguem o lobo no souto

Ignorando que não há seres superiores

Surge a frivolidade do propósito de transformação no outro

 

Transformar a paranoia em estrelas sustentáveis é processo ingrato 

Porque este labirinto que nos envolve amordaça-nos em violentos pisos

Transporta-nos inexoravelmente para armadilhas mentais

E é premente renunciamos a competições e animosidades

Libertando-nos da escravidão dos desejos alheios

Para renascermos purificados na edificação de um mundo em regozijos

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