Sinfonia do distanciamento
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Provocando
a fragilidade para que se erga das ruínas da fornalha
A
privação oculta mistérios de alucinações periclitantes
Induzindo
a premissa que corta o raciocínio em mortalha
Há
sempre um elemento culpado pelo desamparo
Mas
os sonhos arquitetados na falência do real
Provocam
a loucura da camuflada desilusão
Na
ausência imperturbável do vendedor de quimeras
Arrasando
a memória dos dias paralisados pela procrastinação
Espera-se
a destruidora avalanche que desintegra civilizações
Sem
ética de suporte a um bem maior
Aguarda-se
a invasão dos químicos moldando criaturas
Na
falta de autenticação das sementes
Que
perfazem quadros vazios sem molduras
Asas
são queimadas pelo fogo querendo planar
Mas
desencadeiam a insensatez moribunda sem controlo
Acabou-se
o tempo de percorrer os paraísos na Terra e fruir
Desaparece
do vocabulário o conceito humano de emoção
Surge
o distanciamento e estranheza crua duma vida a ruir
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