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A mostrar mensagens de junho 21, 2026

O sufoco do casulo

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Sacudo para longe a asfixia dos invólucros Perante a estranheza das roupagens Alivio a pressão do aperto dos tecidos alienígenas Na transpiração revoltada contra as fibras artificiais Provocando o afogamento pela plastificação das inconsciências   O desconforto acutilante do casulo escuro Erguido pelas amarras dos casacos de lama Cria avidez pelo corte inevitável das vestimentas Ambicionando a respiração da liberdade transitória da nudez Envolta em alegria meditativa da terra sob os pés Rasgando texturas que nos petrificam em estátuas Aliadas à ditadura desenfreada da estética compulsiva das esculturas Gerando a fome acelerada da moda em desuso vertiginoso Instigando a destruição pela alarvidade dos psicopatas   E a nudez perene a registar as rotas do desocultar dos mistérios A revelar os meandros das células a latejar O desvendamento do bater do coração As veias e artérias em comunicação a palpit...

O ritual da espera

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A ventania provoca atrasos nas decisões dos mamíferos Que se espreguiçam exaustos de manipulações E agitações confusas amedrontadas Pela expectativa do desconhecido em revolta Perante crias abrindo as bocas histéricas Adivinhando a desenfreada guerrilha à solta   O fazedor de imagens apazigua as almas famintas O criador de enredos manipula cérebros doentes Autor de discursos pomposos silencia os diálogos Provocando cortes incisivos na inteligência dos crentes   A mente criadora de sentires resgata energias Palpações e enrolamentos de amantes fortuitos Sob a construção fictícia dos espelhos suspensos Detonam profusas indagações e experimentações Das tramas humanoides em desaparecimentos   O sujeito que percorre autómato e sem autoridade O labirinto de genealogias duvidosas e contingentes No encadeamento ininterrupto dos adultérios Mistura-se com a seiva contaminada dos convalescentes ...

Base de sustentação

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  Foto; Ana Maria Oliveira   O julgamento assentou na praça mais exposta Do reino intempestivo de massas movíveis informes Com grilhões invisíveis cegando os enxames que se escondem Na instabilidade feroz e demolidora de turbilhões enormes   A base de sustentação é ligeira amorfa e ténue E tem os dias contados nos calendários inventados Em noites eternas dentro do vazio aparente Dos exploradores carnífices de minérios à solta Que pisam afincadamente onde os vermes mastigam a terra Cheiram inebriados os excrementos das cavalgaduras Julgadas pelos pedestres feiosos e imbecis Agora dizimados pela lógica abrupta dos algoritmos     Sentir a infinitude dos espaços não basta É perentório capturar o invólucro subtérreo Alcançando respiráculos de sobrevivência Pois o assentamento do pilar desmoronou-se Sobre a minha cabeça e o meu querer E estacas já não seguram e perpetuam o riso Nas festividades fictícias do aparecer e parece...