Base de sustentação
Foto; Ana Maria Oliveira O julgamento assentou na praça mais exposta Do reino intempestivo de massas movíveis informes Com grilhões invisíveis cegando os enxames que se escondem Na instabilidade feroz e demolidora de turbilhões enormes A base de sustentação é ligeira amorfa e ténue E tem os dias contados nos calendários inventados Em noites eternas dentro do vazio aparente Dos exploradores carnífices de minérios à solta Que pisam afincadamente onde os vermes mastigam a terra Cheiram inebriados os excrementos das cavalgaduras Julgadas pelos pedestres feiosos e imbecis Agora dizimados pela lógica abrupta dos algoritmos Sentir a infinitude dos espaços não basta É perentório capturar o invólucro subtérreo Alcançando respiráculos de sobrevivência Pois o assentamento do pilar desmoronou-se Sobre a minha cabeça e o meu querer E estacas já não seguram e perpetuam o riso Nas festividades fictícias do aparecer e parece...