Avestruzes

 

Foto: Ana Maria Oliveira

 As avestruzes ergueram esforços

Para manterem os pescoços na verticalidade

De pernas altas ar aprumado conjeturam

Uma forma de afastar a cegonha

Que só quer fazer ninho e manter a prole

Longe de viroses acidentes e peçonha

 

Bicos fortes e ar de quem conhece o terreno

Não permitem a invasão de outra passarada

E bicam aqui e ali empurrando a pobre cegonha

Para fora da fortaleza erguida pelas pernaltas

Destruindo a teoria dos sonhadores impotentes

De que o convívio é possível

Mesmo de físico dissemelhante e fuças diferentes

 

As avestruzes aumentaram o círculo da xenofobia 

Ou fuga da vítima ou morte da pobre criatura

Que também tinha direito à vida

Então posturas de desdém soltam a fera

Que nem todos conseguem dominar

Entre sons jocosos e gritos de guerra

 

A cegonha revoltou-se e o que outrora era silêncio

Passou a gemidos de dor

O gemido passou ao erguer do peito suportando a pressão

O erguer do peito provocou o berro mais estridente

Avançando contra a conduta sádica das grotescas aves

Eis que a cegonha desfere a bicada final na bicharada opulenta

E enquanto permanecem sorumbáticas as emplumadas

A cegonha partiu acabando de vez com a tormenta

 

 

O seu voo era mais alto e a sua visão mais lúcida

Com múltiplas perspetivas levantou asas de forma audaz

Planando sobre aquele reino cinzento cego obscuro deprimente

E delineou cenários futuros noutras latitudes em lezírias de paz

 

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