Claustrofobia
| Foto: Ana Maria Oliveira |
A
claustrofobia assolou sem avisar
Integralmente
os medos em conflito
Com
a ressonância magnética
Perante
o tubo que veda a mirada
Para
paisagens mais movimentadas
Quando
o capacete veio em dança surpresa
Enroscar-se
sem permissão na cabeça
Imposta
por uma tecnologia fria que o desapego invoca
Apenas
acessório inevitável como máscara computorizada
Que
desleixa estados emocionais e sufoca
O
gatilho da memória sintonizou a cama de hospital
Recuou
uma década e visualizou inconsciente
A
imobilidade forçada de duas longas semanas
Onde
os sedativos e paliativos se mesclaram em sintonia
Confusos
e pacientes aguardando
A
inevitabilidade cortante da cirurgia
A
claustrofobia emergiu da reminiscência
E
imediatamente o sinal de alarme soou pioneiro no coração
Alastrando
o estado de ansiedade a cada batimento
O
capacete assemelha-se a um castigo de imobilização
Uma
mascarilha que tolda o discernimento
A
mão empática pousou então calma sobre a fragilidade
Que
respirou fundo e começou a cantarolar
Para
si em silêncio árias de outras infâncias e acalmou
Fez
um pacto com a maldita aversão
Que
ofusca limita asfixia cega paralisa a liberdade
Enfrentar
e manter o foco noutros céus por minutos
O
controlo impôs-se no espaço vitorioso da realidade
Então
a respiração stressada volta ao apaziguamento
Dono
da sua história que orienta os passos na virtualidade
Comentários
Enviar um comentário