Triângulo de carências

 

                                                                Foto: Ana Maria Oliveira


 

A gazela salta alegremente na passarela dos aplausos

No escultural perfecionista alisando os altos e baixos

Cortando tudo o que não encaixa na vaidade balofa

Da beleza alucinada da mesmice da servidão

Onde tudo se alinha no galgar de elegância

Por entre aplausos de verdugos ávidos de adorações básicas

Perfeito é o conceito a cintilar no espelho partido do narcisismo

Onde o antílope sabe ser gracioso e vencedor de maratonas estéticas

 

O coelho cansado bem tenta colorir o céu

Mas a desordem e a fragilidade destroem o floreado

Que brota em seu redor facilmente manipulável

E dentro da floresta negra tenta evitar o assalto

Cambaleando em ziguezague desamparado inadaptável

Inocentemente sonha alcançar o centro da adoração

E nem o pelo imaculadamente branco o salvam

Das intempéries e invejas alheias da constrição

 

A raposa é imperial sabedora de todos os trunfos e ratoeiras

Constrói sarilhos enfraquecendo a tribo

Dividir para reinar na maledicência

Opinar para os dentes cravar

Matreira de pensar rápido e impudência

 

E a patética raposa perde-se de amores pelo coelho

O coelho tem paixão pela gazela desprezando competências

E a gazela adora-se demais para venerar alguém que não seja ela

Que enredo mais malfadado repleto de petulâncias

Não fosse o grotesco da cena seria antes fado vadio

Dentro da jaula do triângulo das carências 

Gazela coelho e raposa dançam tango ao desafio

 

 

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