O sufoco do casulo

 

Foto: Ana Maria Oliveira


 

Sacudo para longe a asfixia dos invólucros

Perante a estranheza das roupagens

Alívio a pressão do aperto dos tecidos alienígenas

Na transpiração revoltada contra as fibras artificiais

Provocando o afogamento pela plastificação das inconsciências

 

O desconforto acutilante do casulo escuro

Erguido pelas amarras dos casacos de lama

Cria avidez pelo corte inevitável das vestimentas

Ambicionando a respiração da liberdade transitória da nudez

Envolta em alegria meditativa da terra sob os pés

Rasgando texturas que nos petrificam em estátuas

Aliadas à ditadura desenfreada da estética compulsiva das esculturas

Gerando a fome acelerada da moda em desuso vertiginoso

Instigando a destruição pela alarvidade dos psicopatas

 

E a nudez perene a registar as rotas do desocultar dos mistérios

A revelar os meandros das células a latejar

O desvendamento do bater do coração

As veias e artérias em comunicação a palpitar

Manifestando anseio de viver e transpor outro portal

O desvendar duma língua que tateia o desejo de prosseguir

A palpação que se agita intrépida por afagar

 

 

 

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