O ritual da espera

 

Foto: Ana Maria Oliveira


 

A ventania provoca atrasos nas decisões dos mamíferos

Que se espreguiçam exaustos de manipulações

E agitações confusas amedrontadas

Pela expectativa do desconhecido em revolta

Perante crias abrindo as bocas histéricas

Adivinhando a desenfreada guerrilha à solta

 

O fazedor de imagens apazigua as almas famintas

O criador de enredos manipula cérebros doentes

Autor de discursos pomposos silencia os diálogos

Provocando cortes incisivos na inteligência dos crentes

 

A mente criadora de sentires resgata energias

Palpações e enrolamentos de amantes fortuitos

Sob a construção fictícia dos espelhos suspensos

Detonam profusas indagações e experimentações

Das tramas humanoides em desaparecimentos

 

O sujeito que percorre autómato e sem autoridade

O labirinto de genealogias duvidosas e contingentes

No encadeamento ininterrupto dos adultérios

Mistura-se com a seiva contaminada dos convalescentes

 

Surgem hologramas dançantes do passado

Mensageiros da persistência dos sonhos

Ocultos na fragilidade suave das rosas

Que se defendem mascarando-se de espinhos

Para sobreviverem às contaminações

Das inundações abruptas proféticas

Atualizando frequências em disseminação

Quando as mãos sem força esgaratujam

No buliçoso incompleto prazer em dilatação  

 

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