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A mostrar mensagens de outubro 4, 2026

Setembro

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A calma de setembro levantou-se na penumbra do amanhecer Empurrou os lençóis para o fundo da cama  Tentou convencer-se que os seus dias acontecem Sem qualquer ruído nem perspetiva negativa Fazem sentido e cabimento na programação dos sonhos  E o minguar das roseiras tem gravidade relativa   Que temperaturas escaldantes são estas Que diminuem as pétalas das rosas Secam os seus caules e folhas As raízes agoniam sob o solo em brasa que amarga E nós que sufocamos por dentro gotejando suor Acompanhando os gemidos desta flora em sobrecarga   A euforia de setembro afasta os gestos pesarosos Instalando a energia do mar inconformado Que acolhe os guerreiros e os náufragos como barco Que flutua na efemeridade das cintilações poluídas  Perante radiações criminosas que derrubam os seres E impedem o orgasmo adiado pelas pontes destruídas   As quatro estações transformam-se Em sei...

Despedida

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A despedida é manhosa traiçoeira Cria fios de parasitas no coração de quem fica E nódoas negras para quem vai Mas a obscuridade da rutura pelos lençóis enfadonhos Pode transformar-se em luz que ilumina Em criatividade para quem materializa os sonhos    O rompimento pode florescer em sorrisos Pode ser água que brota da fonte fresca Para quem há muito morria no deserto E transforma a sede num ambicionado caudal que refresca   A despedida é imperativa no abraço ao mundo Na edificação da criatura prisioneira de delírios Mas como afirmar um adeus que definha Se as memórias persistem em perpetuidade E continuam a moldar as emoções que nos humanizam A finalizar ciclos e a entrar noutros em continuidade   Não há despedidas Há o mar que nos envolve sem subterfúgios E nos reinicia para o novo dia Encontramo-nos todos no mesmo plano de conforto No atalho entre artérias e o espaço sideral ...

Os malabarismos da aranha

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  Foto: Ana Maria Oliveira   O aranhiço escutou ciumento e invejoso Os sons harmoniosos da paisagem pura Na dissertação da fluidez das nuvens brancas E cogitou numa forma de transformar o dia em negrura   A viúva-negra peçonhenta e reativa foi absorver veneno Às minas encastradas em mundos paralelos Empreendendo a sua mezinha de horror Possuindo artifício possante que afeta as vítimas Provocando prazerosa e resoluta dor intensa espasmos e suor   O aracnídeo arquiteta armadilhas É mestra do canibalismo sem culpa em oratório Desafia os indivíduos da mesma espécie Com disputas duvidosas de território   A aranha é intolerante a invasores Não gosta que lhe conquistem o espaço Defende a teia em tom agressivo Passeando-se dissimulada por outros limites Combatendo a vítima em silêncio destrutivo   Vai aranha para o teu ninho Não confundas a tua teia feita espinho Com a limpidez das águas que escorrem da montanha ...