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A mostrar mensagens de agosto 9, 2026

Carga pesada

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Adormecer sob a lua cria mundos Que trazem com eles mensagens de força Porque embora embarque num voo de calmaria Os membros alertam para uma vigília de assombração Pois que nada sobre a Terra é o que parece Não importa se permaneço numa bolha de proteção     Carrego dentro de mim ciclos de pobreza   Cinzentos castelos de nobreza   Malfadados afogamentos nos rios mais longos   Soterramentos de agonia no frio húmido Avalanche de lama gelada na construção de pontes Que servem agora de cenários macabros aos suicídios Emergentes neste tempo de loucos onde secaram as fontes   Trago comigo o veneno bebido na amargura De um campo infértil onde os humanos debandaram Por conta e risco sem espaço para crescer Com tanta morte à solta e viúvas abandonadas Enfrentando a solidão com um filho acabado de nascer   Acalento em mim os bastardos Que reivindicam a presença de um pai Pris...

O esbatimento das cores

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  Foto: Ana Maria Oliveira   Serão os meus olhos que se turvam de lágrimas invisíveis E me impedem de contemplar As variantes cromáticas do arco-íris em movimento Ou é o exterior que se modifica na estranheza dos desencontros De gente apressada em construir o seu próprio encarceramento   Entro no templo que me levará para a zona de conforto  Há um zumbido a metralhar nos ouvidos Baralham-se as nuvens mesclando a capacidade de sonhar Subo escadas com a respiração apressada  Mas já não corro com a pressa de chegar   Constato a distância que me separa dos outros Não há entusiasmo em mim nem vontade nem trauma Para criar artifícios que não me pertencem  Sentir unicamente o silêncio apaziguando corpo e alma   Inevitavelmente é para lá que me dirijo Um lugar onde não haja nem calor nem frio  Para que deixe de sentir a premência de fugir do alarido E dos problemas que não são meus neste sufocante estio ...

Vibração flutuante

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  Foto: Ana Maria Oliveira   A vibração agita as sinapses provocadoras de sensações Na ligeireza vertiginosa da impermanência  Ignoro a náusea da oscilação ondulante do corpo Aguardando impaciente a incisão profunda do silêncio  Que me prende ao chão tapete rebelde sob os pés  Onde madeira metal e terra criam paladares De calorias extintoras de vontades sentinelas Provocando frequências invisíveis que transportam Os devaneios para dimensões paralelas   Germina em perfeita armadilha um enfraquecer da energia Devido às forças de resistência e atrito num impulsor desligado Será apenas um turbilhão de asas sem quebra nem corte Um amortecimento esquecido entre corredores labirínticos Planando na infinitude inalcançável sem gritos nem morte   Estou e não permaneço apenas aguardo o vómito Na inquietude divinatória de uma existência em ignorância Caminho e não me movo na aparente contradição Inconformada com a ...