Carga pesada
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| Foto: Ana Maria Oliveira |
Que
trazem com eles mensagens de força
Porque
embora embarque num voo de calmaria
Os
membros alertam para uma vigília de assombração
Pois
que nada sobre a Terra é o que parece
Não
importa se permaneço numa bolha de proteção
Carrego dentro de mim ciclos de pobreza
Cinzentos castelos de nobreza
Malfadados afogamentos nos rios mais longos
Soterramentos de agonia no frio húmido
Avalanche
de lama gelada na construção de pontes
Que
servem agora de cenários macabros aos suicídios
Emergentes
neste tempo de loucos onde secaram as fontes
Trago
comigo o veneno bebido na amargura
De
um campo infértil onde os humanos debandaram
Por
conta e risco sem espaço para crescer
Com
tanta morte à solta e viúvas abandonadas
Enfrentando
a solidão com um filho acabado de nascer
Acalento
em mim os bastardos
Que
reivindicam a presença de um pai
Prisioneiro
de contratos que degolam o espírito humano
Guardo
ainda a incongruência dos homens
Que
se vendem por álcool para apaziguar
A
crueza da existência como um jogo em noite traída
De
lanças e espadas lançadas ao acaso
Sobre
os corpos famintos de vida
Ainda
mantenho nas células a sensação
De
repulsa da cobra mensageira da luta
Do
aviso que os sonhos seriam breves
Que
caminhar seria insuficiente e que sairia
Em
numerosas estações onde o engano vence
Por
tempo indeterminado porque o tempo é rei
E
o espaço que me envolve não me pertence
Sou
agora saltimbanco aguardando o salto fatal
Sei
que não alcanço já a outra margem
Sair
abruptamente em correria evitando o sismo
Que
provocará a derrocada sobre mim não evitará
O
desfecho da tragédia em queda no abismo
Quantos
rostos me suportam a postura
Quantos
espíritos cabem em mim
Sou
terra mar serra alegria incompletude
Não
quero mais tamanhas torrentes de lágrimas
Dispo-me
de visões esculpidas em ciclos eternos
De
amores provisórios desfeitos por improvisações ácidas

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