Luzes néon
Um ruído ensurdecedor metralha os ouvidos
Seres díspares deambulam hipnotizados pelo tesouro
Diante de jogos exploradores de fantasias
Que enriquecem uma indústria ávida de ouro
Crianças gritam de entusiasmo perante a oferta
deliciosa
São outros sonhos outros quereres
E um choro convulsivo assombrado pela deceção
Prolonga o tempo de sofrimento
Permanece à entrada do recinto de euforias
De baloiços rotativos de fúria e loucura
Um colchão onde saltos e saltos
Criam sensações de controlo e voo em doçura
A mãe arrasta o rapazinho pequeno pelo braço
Para fora daquele lugar estonteante de diversão
Provocador de epilepsia em aguda carência
Progenitora e filho estão tristes frustrados infelizes
E desaparecem rapidamente por entre a multidão
Um pai incentiva o filho a atirar-se sobre a caixa das
bolas
A subir aos escorregas e adquirir a velocidade dos
sonhos
O pai sorri para o filho e depois move-se coxeando
O seu rosto denuncia uma dor atroz
Observa o pé e o tornozelo e a dor aumenta naquele
labirinto
Contaminado pelo esgar de quem
precisa de ajuda médica
Mas decide continuar a incentivar
O pequeno a permanecer na balbúrdia do recinto
Há filas para comprar e carregar os cartões
Que dão acesso aos diversos jogos à disposição
Um jovem tira fotos de requinte
À frente de um moral pintado em
tintas garridas
Puxa o capuz tapando o rosto e a máquina dispara
O ego aumenta mesmo dentro do nó da corda
Suspensa sobre a sua cabeça em puro estilo
Eu é que não acompanho as tendências da moda
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