Luzes néon

 

Foto: Ana Maria Oliveira

 

 

Um ruído ensurdecedor metralha os ouvidos

Seres díspares deambulam hipnotizados pelo tesouro

Diante de jogos exploradores de fantasias

Que enriquecem uma indústria ávida de ouro

 

Crianças gritam de entusiasmo perante a oferta deliciosa 

São outros sonhos outros quereres

E um choro convulsivo assombrado pela deceção

Prolonga o tempo de sofrimento

Permanece à entrada do recinto de euforias

De baloiços rotativos de fúria e loucura

Um colchão onde saltos e saltos

Criam sensações de controlo e voo em doçura

 

A mãe arrasta o rapazinho pequeno pelo braço

Para fora daquele lugar estonteante de diversão

Provocador de epilepsia em aguda carência

Progenitora e filho estão tristes frustrados infelizes

E desaparecem rapidamente por entre a multidão 

 

Um pai incentiva o filho a atirar-se sobre a caixa das bolas

A subir aos escorregas e adquirir a velocidade dos sonhos 

O pai sorri para o filho e depois move-se coxeando

O seu rosto denuncia uma dor atroz

Observa o pé e o tornozelo e a dor aumenta naquele labirinto

Contaminado pelo esgar de quem precisa de ajuda médica

Mas decide continuar a incentivar

O pequeno a permanecer na balbúrdia do recinto

 

Há filas para comprar e carregar os cartões

Que dão acesso aos diversos jogos à disposição 

Um jovem tira fotos de requinte

À frente de um moral pintado em tintas garridas

Puxa o capuz tapando o rosto e a máquina dispara 

O ego aumenta mesmo dentro do nó da corda

Suspensa sobre a sua cabeça em puro estilo

Eu é que não acompanho as tendências da moda

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