Hospício mundial
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Não sabemos o que fazer com os choros e os gritos
Afundamo-nos
impotentes na pobreza emocional
E
cometem-se transgressões no deslize da incoerência
O
descontrolo prolifera a cada corrida de estrada
Enfraquecidos
e pulverizados pelas borrascas da existência
Somos
assolados pela penúria do desassossego
Pelo
alvoroço sugador de energia sem freio das ilusões
Pela
perturbação que nos desintegra a alma
Pelo
dispêndio cego das imprevistas emoções
Agora
temos computadores que comunicam connosco
Adivinham
os desejos escondidos de forma charmosa
Vasculham
as fragilidades mais recônditas
Apresentam-nos
a carta de gastronomia mais deleitosa
Dialogamos
com máquinas e em segundos
Há
sempre respostas prontas que em regalo nos confortam
Mas
de quantas ratoeiras invisíveis temos de fugir a correr
Quantos
caminhos ainda temos que ultrapassar
Com
quantas prisões ainda precisamos de romper
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