Murcham as rosas
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Ramos
de espinhos secam ao sol sem vida
Como
se braços fossem cortados retirando-lhes o alimento
Porque
o calor molda outro mundo que derrotado enlouquece
Enquanto
raízes lutam por água esquecendo o inverno agitado
E
a canícula mata outros seres e as folhas amarelece
A
gata vadia atenta no telhado do galinheiro
Observa
o trajeto dos voadores serenando no poiso
Castelo
eterno da galinha princesa
Pois
há um espaço permissivamente partilhado
Com
as rolas, os pombos e os melros na natureza
A
osga de barriga cheia esconde-se no aglomerado caótico
Na
desarrumação dos elementos que permanecem suspensos
Dependentes
de uma vontade adiada
Enquanto
o astro rei se ergue e esconde da Terra soberana
Indiferente
aos sonhos programados
Tatuados
algures no interior da alma humana
Murcham
as rosas nesta atmosfera de mudanças
Onde
a cor da luz se modificou
E
a quentura outrora aconchegante é já sinónimo de destruição
Espera-se
um dia traiçoeiro em que o vento se alie
À
secura agonizante das árvores em delírio
E
a tragédia recomece perante a indiferença e alienação
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