Mensagem de Outono
![]() |
| Foto: Ana Maria Oliveira |
Os corvos regressam anunciando a mudança
Ainda
é noite e o sol prestes a clarear a Terra
Sobre
as nuvens que ofuscam a ténue claridade
Quando
a mensagem envolve a negrura dos voadores
Vigilantes
da alvorada anunciando a liberdade
Observo-os
num esgar rápido
E
sei que recebo a diretriz da caminhada
Apesar
dos emissários serem disfarçantes no ar
Sábios
na contemplação do tempo que se emaranha
Qual
novelo difícil de desembaraçar
Cinco
corvos pousados na torre
A
mesma que serve de antena da transmissão
E
comunicação entre homens de frequência demente
Estão
em silêncio estas criaturas aladas
Como
se a simples presença fosse suficiente
Há
um corvo que voa e se afasta do agregado
A vontade imprevisível traz novidades captando novos ângulos
Quebrando a
monotonia estática e estéril
Da
estagnação dos meus passos que deambulam sonâmbulos
Agora
são quatro criaturas negras na torre
Permanecem
parados vigiando-me os gestos
E
a partir dos postes de metal uma ave rebelde abre as asas
Para
longe determinada no seu trajeto modificado
Como
se o passado ou a falsa estabilidade
Já
não tivessem mais significado
Aquele
voo empurra-me para a renovação
A
viagem que estou sentindo dentro de mim
Aconselha-me
a deixar para trás os passos do passado
Assumir
a liderança da minha respiração
Varrer
para longe as crises e as sombras de outros seres
E
confiar no pressentimento do meu coração

Comentários
Enviar um comentário