Voto de silêncio

 

Foto: Ana Maria Oliveira

 

Hoje é dia de voto de silêncio 

Porque não há palavras que solucionem as desavenças

De criaturas extraviadas das naturais e equilibradas

Serenas e empáticas frequências

 

O redil dos homens tem vários recantos

Criados nos cérebros em constante vigília

Onde se alojam e crescem os medos perpétuos

 Dos desconfiados de abraços subtis ancorados

 Nos venenos que destroem aos poucos os espíritos ingénuos 

 

Hoje é dia de voto de silêncio 

Em terrenos minados de manipulação

Porque não devo imiscuir-me

Em jogos e subterfúgios que acalentam pressão 

 

Há uma mina invisível de parasitas à solta 

Procurando avidamente a oportunidade de contágio 

Sinto-os e deteto-os mesmo nos disfarces mais camaleónicos 

Estou no palco do país das maravilhas 

Com música apelativa para os meus ouvidos em conciliação

Mas a orquestra range em lugar de se afinar

Pois há egos que soletram gritando que são donos da criação 

 

Manobram o batel coagindo o mareante

A seguir outra rota mais incerta mais errante 

Pobre marinheiro que não vê a tempestade e a morte

Na calada da noite e não deteta os tubarões à espreita

Ignorando a sua triste sorte

 

Ou calcula de novo a sua direção em alto mar

Guiando-se pelos astros por cima da sua cabeça 

Ou se afunda olhando a criatura superficial

Que tem na sua frente que espera o seu óbito sorridente

 

Porque hoje é dia de voto de silêncio 

Espera-me um banho de água salgada

Quem sabe ao sabor das ondas do mar

Aí me comunico flutuo e me deleito

Sou eu e o universo em sintonia

Aí temporariamente me abrigo e satisfaço

Envolvida pelos reflexos das águas em harmonia


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