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Conexão ecológica

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  Foto: Ana Maria Oliveira Germinam nas profundezas associações biológicas Que aguardam a luz do dia para a florestação multicolor Perante pigmentações intermitentes em tempos bélicos Traçando penúrias nos edifícios em abatimento Com os animais à solta decepados Em direção ao poço da incompreensão humana Que aniquila a sua condição criando fossas de cadáveres Provocando a fuga de inocentes desterrados   As mutações acontecem na visibilidade das tragédias Nas depressões anunciando suicídios Nos atos tresloucados sem amanhã Quando os pais chorosos ficam sem os filhos Procurando-os pelas cidades em ruínas de forma vã   Predatismo é o prato do dia servido de múltiplas maneiras A espécie predadora aguarda o festival de gastronomia Para saciar a fome do chorume poluente das lixeiras em decomposição E os carcinogénicos minam as veias das crias por nascer Num tufão de sobrevivência das espécies em asfixia   Explodem sismologias vulcâ...

Mente

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  A sala de cinema escura e silenciosa Transforma-se no refúgio escolhido Pela penumbra entre cantos negros envolventes Que me conduz para lá de mim Contemplando animações hipnóticas Captando sonoridades labirínticas comoventes   Vibratória é a linha no compasso dos passos Que vão surgindo pela porta de entrada A escadaria murmura nas minhas costas O odor a pipocas indica-me o ritual da fantasia E o meu instinto de sobrevivência Sussurra-me para ficar perto da saída Enfrentando uma tênue sensação de claustrofobia   Agora aguardo paisagens da ilha misteriosa Onde os espíritos brincam com os humanos Estou naquele paraíso verdejante Como se tivesse conseguido um teletransporte Que serve de cárcere e também amante   Solitária ilha de quadros viçosos vivificantes Onde as falésias convidam ao salto no vazio Lendária e histórica brotando fungos alucinogénios Criando texturas de encantamento alucinantes   Deixo-me em...

Energia de renovação

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  Foto: Ana Maria Oliveira A oscilação do mar compactua com o sol Acolhe a sintonia das gaivotas A sustentação das embarcações As canas de pesca dos pescadores E comunica em frequência com a luz do farol   A vibração do oceano sugere realezas Cria enredos de amor surfistas Dança com os limos e algas Em gastronomias de aromas infinitos Com mergulhadores em êxtases nas profundezas   O bailado das marés Harmoniza melodias de valsas e tangos Deixando rastos na areia molhada Pela espuma branca das águas Em sinais de enigmas e alegria Ilumina a mente orientando consciências Para recantos paradisíacos de descanso e empatia   A superfície agitada de prata interminável Acena às crianças brincando na praia Abraça os pais com carinho entre risotas Em resposta à gratidão que flutua no ar Por esta energia imensa em movimento Desejando transformar-se em diferentes vibrações Em aparências e oscilações que acalentam a vida E...

Espírito felino

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  Baguera espreita-me A pequena felina examina-me tranquila Sabe que estou em stresse isolada Do mundo que agonia Da sociedade que definha numa imagem profética A náusea e o vómito dos fratricidas Dos governantes que escravizam o seu povo Defraudando o que a todos pertence Amealhando fortunas sem ética   A gata siamesa na sua inteligência felina Sabe que sofro Pois vem amiúde lamber-me a mão esquerda fraturada Espera que me acalme Me deite confortável em aconchego E depois aninha-se no meu colo Enquanto os humanos alcançam os fins sem olhar a meios Se misturam com vícios, escravos de egoísmo e receios   Que patetice! Pobres homens navegando na mediocridade das ilusões Oligarcas enforcados na ganância quais espectros alados Enriquecimento fácil a troco da dignidade Ilhas paradisíacas transformadas em lugares estratégicos Onde se projeta o abate da humanidade E nós incautos, drogados e sonolentos de olhos fechados!   ...

Desprendimento

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      A indiferença surge sombria No distanciamento encoberto pelo cansaço Agora os passos soam em direção oposta ao meu ser A respiração tem outros sonhos Manuseados pelo egoísmo de grandeza Soberba feita de flores murchas Vingança camuflada com cheiro a giestas Com odor doce que desmaia pela casa Que não me pertence de corpo e alma Apenas um frio que me invade através de invisíveis frestas     Este enredo cresce como o amplexo da anaconda Aperta até que o sufoco venha Até que os ossos estalejem sem dó Comunicar com o outro que sofre de surdez sem empatia  Apenas uma energia de afastamento que paira no pó   Remigrei para o palco da tragédia O gelo persiste e as palavras São sempre sinónimo de aborrecimento Desrespeito desprezo indignidade Mas há um plano de evasão Desta vez será ao encontro de mim própria O sol e o vento fazem parte de mim A água do mar purifica o meu ser A mata acalenta segredos...

Ausência

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    Borbulham portais de luz e movimento Na casa que foi lar na eternidade das galáxias Sons que sustentam um passado Vibrações que fixam à terra o abraço das árvores Colhendo os figos de mel sem contratempo   Agora transponho a sombra e o pó O chão levantado, as paredes esburacadas ruidosas Enferrujada e decrépita canalização Obras adiadas e dolorosas Um quintal feito de entulho Como um quadro pintado  Anunciador da morte e destruição   Saio e acelero pelas ruas estreitas De um bairro em que habitam fantasmas Outrora feito de brincadeiras e entusiasmos Na subida às oliveiras generosas Crianças dançando sob os ramos admirando sustentações Na gritaria agitada num salpico de ilusões   Hoje o tempo é impiedoso na prisão em forma de furna E num ápice entre inspirar e expirar Os órgãos cansados anseiam fechar-se sobre si mesmos Comunicam os espectros na vertigem pelo cosmos Mas assola-me sem controlo uma cris...

O desmoronar da vida

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  As bocas escancaradas de medo e espanto Assistem ao arrasar dos edifícios Enrolando os corpos na queda Abafando os gritos e gemidos Soterramentos incisões e estrangulamentos Enterrados vivos nos escombros em turbilhão Como se o ser humano estivesse condenado Pelo ritmo cardíaco da Terra em exaltação Erguendo um cenário de flagelo À espera da desgraça da armadilha em explosão   E depois os tentáculos negros Que nos advêm do planeta emaranhado Aumentam esta densidade pegajosa Que se agarra aos nossos membros Impedindo-nos de locomoção O planeta fervilha nas profundezas Quem sabe revoltado com o conflito armado   Em que corda bamba nos equilibramos Qual droga ingerida à força nos afasta da bonança Qual calamidade incontrolável, dependência do esterco Alheamento e miséria criam parasitas viciados na matança   E o mundo suspira entre os sepultados sob os destroços E o acontecer desvairado do negócio bélico É a loucura, o estado ...